A LUZ

Devolve-me a luz
e os pontos cardeais
descontrolados

nesta pira funerária
sem ar
jazem corpos aflitos
de medo

as larvas saciadas dançam
inebriadas
e as bruxas nuas
cantam poemas
milenares
entre orgasmos e espasmos
de medo

não me abandones

procura-me nos estilhaços
fétidos de um milagre
arranca-me do chão
lamacento
o grito

recorda-me em imagens gastas
pelo tempo
e o fim

o fim será de tigres tatuados
na carne virgem
da saudade.

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