De vez em quando ainda tenho saudades
ainda perco tempo com os fantasmas que deixaste no me colo
e com os monges que ao longe cantam estranhos medos
Ainda me perco em pedaços de papel que ali deixaste
na gaveta que eu pensei não existir
leio-te, tardes a fio
na companhia do gato que abandonaste e que me adoptou como filho
Estou velho
Dos que amo apenas guardo memórias, mesmo sabendo que estão vivos
o tempo castigou-me
amordaçou-me nas horas, nos minutos, nos segundos
e eu fui vendo passar
sem pressa, sem interesse
e agora estou velho
de novo
mas sei que renasço talvez
um dia
talvez
um dia
chegue a casa e lá estejas
com o gato ainda vivo
a guardar velhas memórias na gaveta que agora vazia
me castiga com a dor da tua ausência.

2 Outros Mundos:
Tão triste e tão maravilhoso este poema ...
O poeta consegue falar da saudade com um sabor agridoce...como é difícil escrever sobre ela!
Gostei do poema que em si é ternurento e triste.
Parabéns!
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