O SANGUE DERRAMADO

Alastra-me a dor
e o cheiro a sangue derramado
O mar ali está, como o teu corpo
e os esqueletos guardados em caixas de flores inuteis
beijo-te
e o amargo da insónia é o ouro dos teus gritos de prazer
não sinto nada
na janela quase fechada os insectos que nos sugam
o tal odor pestilento
Pedes-me um poema
e lá fora
passos
desconexos
como o orgasmo futil que me deste
já não sei o que quero
se te quero
se o rio ali ao longe me incendeia
como o cigarro que teimo em fumar

mesmo na morte.

2 Outros Mundos:

Liliana disse...

Indecisão? Tornou este poema belo!

isabel maria disse...

A incerteza do querer bem esrita.Bom poema.

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