AS SARJETAS

Pintava-te
se tivesse luz e um revólver

derramava o teu sangue na paleta
e decompunha o teu cabelo
desalinhado em finos traços
negros
e fazíamos amor
no deserto das ondas de cetim
a beleza não se paga
não se lastima
e nas minhas mãos
a cura do mundo
em breves momentos de carinho
não me olhas
Só porque sou um marginal das emoções
que acredita que a vida pode ser um campo de girassóis mágicos
sem a saudade e o fado dos condenados à magia de um beijo.
Se apareceres esta noite
abraço-te
choro no teu colo
e com o sal fazemos magia negra
e derramamos o que resta do meu sangue inquinado
nas sarjetas sujas dessa cidade já sem luz.

2 Outros Mundos:

Liliana disse...

Sentimento, arte, morte ... Tudo conjugado deu esta maravilha de poema . Adorei ;)

isabel maria disse...

Quadro em que o pintor pinta as emoções com a pincel da vida.
Parabéns!

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