Morreste. O meu mundo é cada vez um local desolado, habitado apenas por hienas medíocres e feridas. Não sei porque te foste sem mim, combinamos a morte juntos, cobertos de panos de ceda e cicuta adocicada pelo mel dos teus beijos reescritos em tábuas mágicas guardadas em templos de doçura e líquenes molhados pelo orvalho carnudo das manhãs.
Morreste. E eu aqui fiquei sem lógica, em metamorfose, fumando cigarros inventados em guerras ancestrais enquanto lá fora as falésias desmoronam na loucura da tua ausência.
Morreste, e eu, apesar de vivo, morri um pouco e nada mais me habita, nem os cheiros, nem o pó dos dias, nem os gatos selvagens que me tocam ao de leve porque tu morreste e eu fiquei aqui, mergulhado nos escombros talhados pelos antepassados, encalhado nos escombros da tua ausência, nausebundo, decadente, nojento em decomposição, aqui, para sempre, sem ti porque morreste e eu não morri porque não consigo.

2 Outros Mundos:
Morrer é renascer num outro mundo,talvez secreto para onde levamos os sonhos não vividos por medo,os beijos trocados,os carinhos sentidos e o amor,sempre o amor.Este nunca morre,mesmo ausente na distância.
Parabéns poeta pela intensidade!
Estou maravilhada com a beleza deste poema, Adorei :) Fantástico! Mais uma vez parabéns!
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